Falcoaria

RioZoo lança atividade educacional inédita com tour de falcoaria.

A arte milenar da falcoaria é a mais nova atividade do RioZoo e promete encantar os visitantes. Utilizada com fins educativos, a falcoaria tem personagens para lá de simpáticos. O tour animal tem a companhia da gavião Asa-de-telha chamada “Rubi”, da coruja Branca, a “Luky”; além do filhote de carcará “Catatau”.

Todas são aves de rapina, que junto com a cadelinha “Bela”, ensinam aos visitantes a importância da preservação dessas espécies na natureza e são uma oportunidade única da aproximação com a natureza, com a história medieval dessa técnica e mostram a profunda relação de confiança e amizade estabelecida entre homens e animais ao longo dos séculos.

Objetivos do tour educacional falcoaria

O objetivo é abrir uma janela do conhecimento sensitivo sobre as aves de rapina, seus ecossistemas e o motivo de algumas espécies estarem ameaçadas de extinção. A antiga arte da falcoaria é apresentada através de explicações históricas e científicas, além de demonstrações de voos com diferentes aves de rapina. A história e a Natureza se fundem em um contexto ambiental e Histórico através desse mundo majestoso da Falcoaria.

Quem é nosso falcoeiro:

Leandro Mautone é um apaixonado pelas aves de rapina desde pequeno e encontrou na Falcoaria a proximidade com esses animais incríveis. Foi em 2008 que deu os primeiros passos na Falcoaria, na Itália, onde trilhou esse caminho por oito anos ao lado do Príncipe Guglielmo di Ventimiglia, um dos maiores expoentes da falcoaria na Europa e um dos fundadores da Accademia Italiana Cavalieri D’Alto Volo. Trabalhou em projetos de reintrodução de espécies como o falcão Peregrino, e atualmente se ocupa, com grande paixão, na divulgação da falcoaria clássica em um projeto pioneiro no RioZoo – Zoologico do Rio de Janeiro.

Conheça as Aves:

Gavião Asa de Telha – Parabuteo Unicinctus

Gavião de Rabo Branco – Geranoaetus Albicaudatus

Coruja Branca – Tyto Furcata

Como participar:

O Tour Educacional Falcoaria do RioZoo tem duração de 20 minutos e acontece de terça a domingo, em dois horários: às 12h e às 15h (vagas limitadas). A atividade não tem restrição de idade e pode ser feita por toda a família.

ATENÇÃO: O tour da falcoaria pode ser suspenso a qualquer momento, sem aviso prévio, em função das condições climáticas. Informe-se na bilheteria do RioZoo.

A história da falcoaria

A palavra falcoaria ainda remete a maioria das pessoas às passagens de filmes e romances históricos famosos, onde cavaleiros envergando brilhantes armaduras trazem em seu punho belos falcões com estranhos adornos sobre a cabeça e fitas que balançam sob suas garras quando as aves voam, deixando a luva do falcoeiro. Poucas pessoas, entretanto, têm a noção correta sobre o que realmente é a falcoaria, como e quando esta surgiu. Para responder essas questões temos de retroceder na história da humanidade, até cerca de três ou quatro mil anos atrás, na época em que sobrevivíamos da caça e da coleta.

Certamente desenvolvida como uma forma de obter alimento, a falcoaria é fruto da capacidade de observação e raciocínio humano, culminando na captura de uma ave de rapina e no estabelecimento de relações de troca, sendo oferecidos à ave abrigo, cuidados e alimentos que esta necessitasse, em troca das presas que apenas ela era capaz de perseguir e abater.

Assim surgiu a falcoaria, nome dado a ciência de adestrar aves de rapina, considerada por muitos uma forma de arte, devido ao alto grau de sensibilidade e dedicação exigidas para sua prática.

Seu local de origem é incerto, porém diversas teorias apontam a Ásia Central, China e Pérsia como berço mais provável. Os registros mais seguros sobre a idade da falcoaria são gravuras ilustrando claramente um falcoeiro em atividade, encontradas no século passado em ruínas na Mesopotâmia e datadas como sendo de 1700 a.C.; contudo, registros mais antigos levam a crer na utilização de falcões como presentes oferecidos a príncipes chineses durante a dinastia Hia (circa 2200 a.C.).

A forma como sua prática chegou ao mundo ocidental também é desconhecida. O registro mais antigo de sua presença na Europa está representado pela ilustração de uma cena de caça aos patos, em um mosaico datado de 500 d.C., localizado em Argos, na Grécia. Uma vez na Europa, porém, bastaram 200 anos para que pudessem ser encontrados praticantes da falcoaria entre pessoas de todas as castas sociais, dos camponeses (como forma de obter alimento) aos reis (como uma forma de esporte e interação sócio cultural).

Por volta de 750 d.C. os primeiros manuscritos ocidentais sobre o assunto começaram a ser escritos, cabendo destacar a publicação de De Arte Venandi cum Avibus, vasto tratado escrito por Frederico II, imperador da Alemanha, em 1247. Pouco a pouco a cultura europeia foi revestindo a falcoaria de uma aura nobre, associando sua prática a sofisticação e cultura superiores. Dessa maneira, os reis e grãos-senhores interessados em distinguir-se chegavam então a possuir dezenas de aves, contratando um Mestre Falcoeiro para treiná-las e mantê-las sempre em forma.

Neste período foram publicados os primeiros éditos de proteção à fauna na Europa, proibindo especificamente a caça, maus tratos ou apanha de aves de rapina. O preço de falcões treinados atingia pequenas fortunas, e o roubo dessas aves era punido com a forca em algumas regiões da Inglaterra. Conta se que um bispo, cujo falcão fora roubado durante sua pregação, chegou ao ponto de excomungar o anônimo ladrão.

Com a chegada das grandes navegações, descobriu-se que a falcoaria florescera de forma paralela no continente americano. Os primeiros relatos da existência deste tipo de atividade nas Américas datam do século XVI e foram feitos por Cortéz, o famoso conquistador espanhol, que descreveu a presença de falcões treinados mantidos pelo rei asteca Montezuma, no México.

A partir de 1792, com a fundação do High Ash Club, em Londres, na Inglaterra, os entusiastas começaram a se organizar em clubes e associações, dando início ao processo de modernização da prática, com a formação de aviários e intercâmbio de espécies, adoção de novas tecnologias, uso de fichas de acompanhamento individual, estudo e difusão das técnicas de treino utilizadas em outras regiões, como Arábia, Espanha, Japão, etc.

A iniciativa inglesa estimulou o surgimento de novos clubes em vários continentes, auxiliando a prática da falcoaria a obter regulamentações legais especificas, como ocorre hoje na maioria dos países europeus, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, México e América do Sul, entre outros, garantindo a continuidade de sua prática, conhecimentos e tradição até os nossos dias.

FALCOARIA RECONHECIDA PELA UNESCO

Para Garantia do Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade da UNESCO, presidido pelo Dr. Jacob Ole Miaron, PhD, CBS, natural do Quênia, em reunião realizada em Nairobi, no dia 19 de novembro de 2010, foi aprovada a inclusão da Falcoaria como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, nos termos da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, instituída em 17 de outubro de 2003.